Filhas, estamos em Junho de 2017… Está um calor fora do normal, e os incêndios começam…
A natureza está zangada… Não a temos tratado bem de certeza…
A Mãe e o Pai estão a divertir-se num jantar, numa noite
quente, com os amigos… Vocês estão em casa da avó, confortáveis e em segurança…
E ao mesmo tempo Portugal vive um dos maiores incêndios de sempre…
Que isto nos
sirva de lição para valorizarmos o quão afortunados somos, a sorte que temos
tido sempre, a vida que nos calhou e que construímos…
Há relatos e tragédias que nos fazem doer, e nos causam uma angustia inexplicável… Que nos fazem
questionar o que somos e como agimos…
Hoje, depois de uma noite trágica em
Pedrógão, a vida continua para uns, para outros não…
É assim todos os dias, eu
sei… Mas quando se vêm famílias inteiras a desaparecer de forma tão drástica,
de um momento para o outro, ou, talvez pior ainda, quando vemos desaparecer o bem mais
precioso da vida de uns pais que, não consigo imaginar como, terão de continuar
cá e levar a vida para a frente, é impossível que o medo não nos invada o
coração…
Depois do incêndio de ontem, há pais que não vão poder voltar a abraçar, a
ver, a ouvir os seus filhos… É uma dor que magoa só de a imaginar!
Que sorte temos por vos ter connosco! Que sorte temos nós por
existirem dias muito difíceis na nossa feliz vida! Birras constantes, cansaço extremo, noites mal dormidas, pequenas doenças, duvidas e indecisões… Que
sorte pelas coisas “más” da nossa vida, que no fundo é tão boa…! Que sorte!
Viver um dia de cada vez, valorizar tudo o que temos e
relativizar as coisas menos boas… E ter fé que tudo vai correr bem… mesmo
quando não corre…
Princesas, só morre quem é esquecido! E apesar de não se lembrarem deste dia, ou das pessoas que perderam as suas vidas neste trágico dia, tenho a certeza de que ao lerem isto, e ao valorizarem o que têm, estão a manter viva a sua memória!
A todas as famílias que perderam tudo neste maldito incêndio, a quem perdeu amigos, às famílias que se desmoronaram… Um abraço apertado!
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